sexta-feira, 1 de abril de 2011

O muro vai ao chão.

"Você diz que não precisa de ninguém pra ser feliz. Você diz que cansou de acreditar, e de se decepcionar. Você diz, inclusive, que procurar é pros românticos bestas, pros ingênuos e pros alienados. Você se esquece que te foram dados dois braços justamente para que você tenha como carregar o escudo e a espada. Então o que é que você faz com dois escudos? E por quê essa armadura envolve teu corpo, e esse muro envolve
tua casa? Saia para caminhar comigo e sinta o peso dos seus dois escudos. Tente equilibrar-se, lutando contra o forte vento que te quer levar com ele para onde quer que seja. Eu caminhei por tanto tempo com escudos iguais aos teus que, hoje, livre, meus passos são (des)cuidadosamente rápidos. Eu demorei, mas consegui me despir da
armadura e me desprover dos escudos. Hoje eu aposto comigo mesmo quantos passos eu consigo dar com os olhos fechados. Isso me instiga. Na verdade, eu adoraria, de olhos fechados, me espatifar contra o teu muro. Já tentei uma vez, sim, aquela vez em que tomei uma rasteira. Mas vou tentar de novo e de novo, até que teu sono seja abruptamente interrompido pelo quebrar de meus ossos. E não vai ser só a sua armadura que eu vou tirar."
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Li esse texto que me enviaram e doeu. Dói ter que construir um muro dentro de si para separar teu lado sentimental, não por ser simplesmente sentimental, mas quando teu lado sentimental é sombrio, te derruba, te destrói... quando você já sofreu extremos por culpa dele e decide mudar, decide construir esse muro, aí dói. Dói saber que você já não sente como antes, não ama como antes, dói saber que você machuca o outro por não conseguir demonstrar sentimento, por deixar a frieza agir.
Foi quando me apontaram o dedo na cara e gritaram comigo, me sacudindo a alma: "Você não é assim, isso é uma maquiagem que você está usando como defesa, mas quando ela sair vai vir o vazio, até você entender que não dá pra deixar de ser você mesma. Você apenas precisa saber equilibrar os sentimentos, se permitir sentir sem que se torne auto-destrutivo. Eu sei que grande parte disso é culpa minha, dói saber que eu ajudei a causar. Então, para com isso agora, ninguém tem culpa do que aconteceu antes, ela não tem culpa e não merece isso." Foi mais ou menos assim.
Foi mais ou menos disso, ou muito disso que eu precisei pra ignorar no momento e refletir durante o outro dia, foi muito disso que me bateu de repente e quando vi estava em lágrimas no caminho de volta do trabalho. O que é isso agora? É meu eu se apresentando pra confirmar as palavras ditas na noite anterior? Era tudo defesa? Muro construído, concreto, proteção, barreira, tropa de fogo, armamento pesado. Tudo em pedaços ao chão, desmoronados, perderam a batalha.
Pude sentir o gosto doce de se permitir chorar, sentir o prazer de sentir. Enxergar o quão bom é saborear o momento atual, amar.
O muro caiu, o barco afundou. Quem me leva e quem me prende, tudo junto no mesmo ser em equilíbrio- vela e âncora, uma livre pra navegar sem medo, a outra pra parar o barco, pra frear o sentimento quando for ruim, só quando for ruim.
Havia um muro dentro de mim, havia um intenso sentimento de entrega escondido atrás do muro fingindo não mais existir. Havia.
Não é preciso deixar de ser feliz pra se permitir outros sentimentos. Todas as coisas podem caminhar juntas, basta saber equilibrar.
Hoje posso dizer que sou completamente feliz, que vejo o bom até nas coisas ruins, que me amo em primeiro lugar e que posso amar o outro também, que posso sentir e que posso chorar da mesma forma que posso sorrir. Tudo em uma frequência, em um rítimo só conhecido por mim. Menos continua sendo mais, e esse mais tem porporções grandiosas e me deixam sempre maravilhada.
Amar é bom sim, permitir o sentimento é melhor ainda.

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